Prova de portugues do bombeiro


>> sexta-feira, 11 de julho de 2008

TEXTO 1


A palavra

Rubem Braga

Tanto tenho falado, tanto tenho escrito – como não imaginar que, sem querer, feri alguém? Às vezes sinto,
numa pessoa que acabo de conhecer, uma hostilidade surda, ou uma reticência de mágoas. Imprudente ofício é
este, de viver em voz alta.
Às vezes, também a gente tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou alguém a se
reconciliar consigo mesmo ou com a sua vida de cada dia; a sonhar um pouco, a sentir uma vontade de fazer
alguma coisa boa.
Agora sei que outro dia eu disse uma palavra que fez bem a alguém. Nunca saberei que palavra foi; deve ter
sido alguma frase espontânea e distraída que eu disse com naturalidade porque senti no momento – e depois
esqueci.
Tenho uma amiga que certa vez ganhou um canário, e o canário não cantava. Deram-lhe receitas para fazer o
canário cantar; que falasse com ele, cantarolasse, batesse alguma coisa ao piano; que pusesse a gaiola perto
quando trabalhasse em sua máquina de costura; que arranjasse para lhe fazer companhia, algum tempo, outro
canário cantador; até mesmo que ligasse o rádio um pouco alto durante uma transmissão de jogo de
futebol...mas o canário não cantava.
Um dia a minha amiga estava sozinha em casa, distraída, e assobiou uma pequena frase melódica de
Beethoven – e o canário começou a cantar alegremente. Haveria alguma secreta ligação entre a alma do velho
artista morto e o pequeno pássaro cor de ouro?
Alguma coisa que eu disse distraído – talvez palavras de algum poeta antigo – foi despertar melodias
esquecidas dentro da alma de alguém. Foi como se a gente soubesse que de repente, num reino muito distante,
uma princesa muito triste tivesse sorrido. E isso fizesse bem ao coração do povo; iluminasse um pouco as suas
pobres choupanas e as suas remotas esperanças. (Pequena Antologia poética do Braga: seleção de Domício
Proença Filho, Rio de Janeiro: Record, 1997)



Questão 21

Sobre a crônica “A palavra” de Rubem Braga, pode-se afirmar que:

A) a amiga fez mais de uma tentativa para que o canário cantasse.
B) a amiga sabia que havia uma ligação entre o canário e Beethoven.
C) a amiga sabia que um dia o canário iria cantar e ficou esperando.
D) o canário só cantou porque a amiga sabia que ele gostava de Beethoven.
E) a amiga nada tentou para que o canário cantasse.

Questão 22

Com base na leitura da crônica “A palavra”, pode-se afirmar que:

A) as palavras do cronista não ferem ninguém.
B) a distração é uma marca do cronista.
C) o cronista pensava em cada palavra que poderia atingir o outro.
D) as palavras podem ferir ou ajudar as pessoas.
E) a crônica trata de um pássaro que voltou a cantar.

Questão 23

Em algumas situações, a conjunção “e” pode apresentar outros significados que não somente o da adição, o que
permite, por exemplo, sua substituição pela conjunção adversativa “mas”. Em qual dos casos abaixo pode-se substituir
o “e” por “mas” sem alterar o sentido do texto?

A) “(...) “e” o canário não cantava.”
B) “(...) deve ter sido alguma frase espontânea “e”distraída(...)”
C) “(...)“e”assobiou uma pequena frase melódica de Beethoven (...)”
D) “(...)“e”o pequeno pássaro cor de ouro?”
E) “(...)“e” as suas remotas esperanças.”

Questão 24

Muitas vezes a alteração a ordem das palavras e expressões em um texto compromete seu sentido. Em qual das
alternativas abaixo a mudança de palavras ou expressões sublinhadas promove modificação de sentido no trecho
destacado?

A) “Às vezes, também a gente tem o consolo de saber que “alguma” coisa que se disse por acaso ajudou alguém (...)” /
“Às vezes, também a gente tem o consolo de saber que coisa “alguma” que se disse por acaso ajudou alguém (...)”
B) “Foi como se a gente soubesse que de repente, “num reino muito distante”, uma princesa muito triste tivesse
sorrido.” / “Foi como se a gente soubesse que de repente uma princesa muito triste, “num reino muito distante”, tivesse
sorrido.”
C) “(...) que arranjasse para lhe fazer companhia, algum tempo, “outro canário cantador” (...)” / “(...) que arranjasse
“outro canário cantador”para lhe fazer companhia, algum tempo, (...)”
D) “”Imprudente” ofício é este, de viver em voz alta.” // Ofício “imprudente” é este, de viver em voz alta.
E) “(...) batesse “alguma coisa” ao piano(...)” /“(...) batesse ao piano “alguma coisa” (...)”



Questão 25

O prefixo “–in(-im)” pode indicar negação de algo. É o que ocorre no texto com a palavra “imprudente”, em que o
prefixo “–im” equivale a não, ou seja, com “imprudente” temos “aquele que não é prudente”. Em qual das afirmativas
abaixo temos um prefixo equivalente a uma negação?

A) Inconstante
B) Interessante
C) Inocente
D) Injetável
E) Impressionável

Questão 26

Quando o verbo não concorda com o sujeito significa que há problemas de concordância verbal. Em qual das sentenças
abaixo ocorre este tipo de problema?

A) Aquele lugar lúgubre, que cheirava a umidade, não permitia que os canários cantassem.
B) Às vezes, ouvia-se, da janela do vizinho, o canto triste e melodioso daquele canário.
C) Deve haver outros canários, belos ou não, que simplesmente nunca cantaram.
D) Aqueles pássaros, tristes e abandonados, que vivia naquela casa, precisavam sair da gaiola.
E) Surgiram muitas idéias para que o canário cantasse, mas nenhuma delas dava resultado.

Questão 27

No texto, aparecem verbos em tempos do passado, do presente e do futuro. Em qual das afirmativas abaixo temos verbo
em um tempo verbal do futuro?

A) “Tanto tenho falado (...)”
B) “Imprudente ofício é este(...)”
C) “Tenho uma amiga que certa vez ganhou um canário (...)”
D) “Deram-lhe receitas para fazer o canário cantar (...)”
E) “Nunca saberei que palavra foi (...)”

Questão 28

As palavras proparoxítonas, isto é, as que têm a antepenúltima sílaba tônica, como é o caso de “pássaro”, são
acentuadas. Em qual das alternativas abaixo encontramos uma proparoxítona?

A) Distraído
B) Alguém
C) Remotas
D) Melódica
E) Seleção


TEXTO 2:

“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com
uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou riacho, torcem o pano, molham-no novamente,
voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma
molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e
mais outra, torcem até pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a
roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como
ouro falso; a palavra foi feita para dizer.” Graciliano Ramos em entrevista concedida em 1948 (Casa de
Graciliano Ramos, Palmeira dos Índios).


Questão 29

Neste trecho da entrevista, Graciliano Ramos compara o ofício da escrita com o ofício das lavadeiras de Alagoas. Esta
comparação serve para dizer que escrever é

A) trabalhar muito a palavra.
B) algo muito simples.
C) usar as palavras para enfeitar os textos.
D) jogar palavras no papel.
E) agir com distração.

Questão 30

Em “Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício”, “como” funciona como
conjunção comparativa. Nem sempre, no entanto, este termo pode servir a uma comparação. Em qual das alternativas
abaixo o termo “como” indica uma comparação?

A) Como não imaginar que, sem querer, feri alguém?
B) Como era melodioso o canto daquele canário!
C) A palavra não foi feita para brilhar como ouro falso.
D) Como viveu em Alagoas, pôde observar o trabalho das lavadeiras.
E) Existem como uns vinte pássaros que não cantam.




Respostas


21A, 22D, 23A, 24A, 25A, 26D, 27E, 28D, 29A, 30C

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